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Seasons


Fiquei uma temporada na casa dos meu pais.
Oh coisa boa! Tempero de mãe e palhaçadas de pai.
Além da saudade do meu quarto, do quintal, saudade de espaço.
Dois anos entre um apartamento, uma recepção de hotel, metrô e ônibus lotados, ninguém aguenta.
Sai pra bater perna e quando digo bater perna é no sentido literal mesmo. Já nem me lembro mais quando foi a última vez que andei tanto. Revi uma porrada de gente que não via há tempos.
Rachei o bico com um porre homérico da minha sobrinha. (ai ai ai, coisa feia hein menina! rsrs).
O barato de voltar pra lá e que sei que em certos lugares as coisas continuarão como sempre. Pode-se pintar o lugar, mudar o nome, mas ali "dentro" está igual. Este lugar em especial é uma delicia, não tem pra Boutique Nespresso, Starbucks, Sto Grao.
E o melhor encontrar aqueles que tem entendem só com o olhar.

Sim!!!!


Em um determinado dia eles resolveram dizer: Sim!
Sim para as alegrias que viriam;
Sim para aquele sorriso meio torto quando a conta do mercado ficou além do imaginado;
Sim para o cabelo que começou a rarear;
Sim para aquele abraço gostoso onde você sabe que o encaixe será perfeito;
Sim para a tosse bem no meio da noite;
Sim para aquele mau humor "daqueles" dias.
Mas tambem disseram NÃO.
Não para a falta de tolerância;
Não para a rabugice diante aquela novela melosa;
Não para a insegurança boba diante a assistente 10 anos mais nova que você;
Não para a falta de paciência diante aquela história cheia de detalhes no meio do passatempo predileto.
E escolheram principalmente dizer sim a felicidade e não a razão.
Pois, por muitas vezes a razão nos coloca no papel de vitima, e que de forma alguma devemos sair deste pedestal. Afinal, você está certo.
Só que aí a razão já muda de nome: é orgulho. Que nos cega e emburrece. Não nos permiti dizer: - Olha aqui seu bosta, isso magoa!
Este casal na foto eu infelizmente não os conheço. Foi uma pose roubada. De início eles estavam de mãos dadas num carinho só (um bom tempo mesmo). É que minha amiga e cumplice se enrolou e quando tiramos estavam assim. Mas para mim valeu um monte.
Pois é, fudeu... não sei se desço ou fico por aqui.

Despedidas

Quem me conhece sabe que sou apaixonada por cachorros. Por toda minha vida sempre tive um por perto, e com cada um tive experiencias significativas.
O primeiro foi o Cheiroso, um legítimo vira-lata preto. Lembro-me dele já velhinho, barba branca, rs
O Cheiroso era mestre em se esconder dentro do carro do meu pai. Mania esta que fez o meu pai voltar duas vezes para casa por só notá-lo na parte de trás (dormindo no assoalho), quando já havia chegado ao trabalho.
Eu quando pequena adorava acompanhar minha mãe e minha avó à feira, tudo bem que com terceiras intenções, coxinha e panelinhas de brinquedos. Mas, num sábado minha mãe ficou com dó de me acordar cedo e não me chamou. Acordei, corri a casa toda e nada delas. Portas trancadas, não pensei duas vezes, pulei a janela do meu quarto e fiquei com o Cheiroso sentada na calçada, de pijamas, esperando por elas. Eu e o Cheiroso.
Mas um dia ao chegar em casa ele não apareceu, meu pai disse-me que como ele estava velhinho resolveu ir embora.
Tempos depois descobri que naquele dia ele não acordou e, que daquele montinho de terra do fundo do quintal não iria sair milho algum.
O Rex, chegou numa caixa de papelão trazida por meu irmão. Bonitão, este segundo meu pai era "tomba-lata", pois era mestiço, vira-lata com pastor alemão.
Meio caramelo, meio malhado e rabo cotó, brincalhão, parecia sorrir com os olhos. Este, conquistou até a minha mãe.
Cachorro inteligente , sossegado. Quando eu e minha mãe ficamos morando no sitio, ele ficou conosco. E todo dia quando eu seguia para e escola ele nos acompanhava até a divisa. Incrível, eu sabia, meus amigos também, mas como ELE, sabia que ali terminava o nosso sitio? Ficava ali parado só olhando enquanto seguiamos. E, para lascar tudo de vez, na volta lá estava ele a nos esperar no mesmo lugar.
Pouco tempo depois, meu avô, também foi morar conosco. E o Vô Joaquim sempre foi doido por bichinhos, logo se apegou ao Rex.
Voltamos para cidade, e minha mãe não teve coragem de separar os dois.
Mas, toda vez que íamos para lá o danado ia de encontro conosco. Era o nosso recepcionista. Todo serelepe, rindo do jeito dele.
Segundo o Vô, morreu de tristeza, pois anos mais tarde o Vô Joaquim, ganhou mais cachorrinho, um Fox Paulistinha, e os dois ficaram amigos, mas o Fox, morreu, e o Rex foi logo em seguida.
Aí aparece o Theófilo, Théo. Um puríssimo Poodle Toy, com pedigree e o escambal. No entanto, nunca vi cachorro mais sem vergonha, noção ou qualquer coisa que o valha!
Ao falamor de poodle já logo imaginamos aqueles cachorrinhos de madame, quietinho, no colo do dono, todo cheio de fru-fru. O Théo? Que nada! Vira-lata de alma, sarna brava. Sem parada, rueiro, bagunceiro, chato até. Ah, e como todo baixinho envocado!
Ao chegar na minha mãe reparo o silêncio logo na entrada, pois o Théo vale por dez campanhias. Mas como é noite, tempo meio chuvoso, frio. Penso que o cachorro também não é obrigado a fazer hora extra.
No dia seguinte minha irmã me acorda dizendo que o Théo tá nas últimas. Pois é, o povo lá de casa tem a sutileza de um elefante.
Veterinário, no domingo, em Mogi!
Encontramos. O parrudinho apesar do estado em que se encontrava não queria que o depilassem para o exame de sangue! Machinho até o fim, rsrs
Ele no alto de seus 92 anos sofreu um derrame, está com catarata e ficará com sequelas.
Seus remédios agora estão lado a lado com os do me pai.
Meu pai: - Agora é um velhinho cuidando do outro!
Não sei se o encontrarei numa próxima vez.
Mas ainda rio ao lembrá-lo com bigode chinês e topete moicano.

Chegadas e Partidas

Foto fonte: http://expatbrazil.wordpress.com/


Uma Rodoviária sem dúvida alguma é o ínicio ou o término de uma jornada. Mas percebo que pode ser o ínicio ou o fim de uma saudade.
Para mim é o fim. E para você?

Coincidências

Eu tenho umas coisas loucas em vida. Além é claro de eu mesma ser uma.
Mas algumas coincidências meio que me perseguem. São números, datas, eu pensar em alguém e ela aparecer, músicas, palavras.
Porém, na verdade eu acredito que Deus deva ter um senso de humor do cacete mesmo. Ou ele vive a me testar.
Sério, tem coisas que ao se ouvir ninguém acredita. Sabe aquelas porcentagens ou a probabilidade de algo acontecer fica em torno de 0, qq coisa %? Comigo essa é certeira. É pá pum! Acontece.
Agora, como já ando meio "calejada", digo: - Eu sabia!
Certamente Deus tenha ficado decepcionado comigo nesta segunda. Mas meu velho, é melhor mudar sua tática, isso já não me surpreende mais.
No entanto nem tudo está perdido... o senhor conseguiu me mostrar que NADA RESTOU.

Perdas e Ganhos

Parece que pra cada coisa que você conquista você perde uma.
Eu nesses últimos tempos ganhei reencontros, daqueles que você pensa: que bom que você não mudou!!!
Ganhei ao saber coisas ref a mim mesma que eu nunca enxerguei.
Mas a cada dia perco a fé nas pessoas e as entendo cada vez menos. E, juro o que tenho visto me faz ter um medo danado delas.
Perdi a vontade de gandaiar... pois vejo que não são só os objetos que ficam obsoletos a cada novo lançamento... as pessoas também... é um ciclo tão rápido que quando você vê... já foi.
Talves seja por isso que ninguém cultiva mais nada, dá trabalho. E como trabalho era uma maneira de tortura na Grécia antiga...
Aí que vontade de ir embora pro meio do mato.
Cultivar a terra, conhecer os segredos dela.
Saborear o café com calma.
Receber os amigos pra conversar noite a fora.
Saudades do sitio.
Saudades do meu amigo Pedrinho que foi embora tão cedo, foi como o anjo que sempre foi.

Deus queria um minuto de sua atenção

Por que a gente se separa de quem amamos? Sabe, não acho isso nem um pouco certo. O que fazer com o amor que fica? Guardar numa tuperware e congelar?! Ou cobre com um paninho para não juntar pó?
Quero muito amar. Tal aquele vagalume que carrega em si a luz sem nem saber porque brilha.
Quero chegar ao fim e dizer: - Agora podem me carregar. Já fiz o que queria. Amei.
Aos meus amigos que perderam um amor... o filho que mesmo ainda não nascido já era tão vivo e teu seu, a mãe a quem tanto ama, a amiga peluda... a morte só distancia, porque o que verdadeiramente sentimos não acaba jamais.